Por que a Copa do Mundo faz tanta gente voltar a sentir esperança?

Tem algo na Copa do Mundo que acende uma chama que parecia apagada. Por que um campeonato de futebol consegue fazer isso? E o que esse fenômeno diz sobre o que o coração humano realmente precisa?

Você já percebeu que tem algo diferente no ar quando a Copa do Mundo chega?

Não é só o barulho. Não é só as bandeiras nas janelas. Não é só o fato de que de repente todo mundo entende de futebol, inclusive aquelas pessoas que em qualquer outro momento do ano não sabem dizer quem joga pelo time do bairro.

É algo mais difícil de nomear.

É como se uma parte das pessoas que estava adormecida acordasse. Uma chama que parecia apagada voltasse a acender. Uma leveza que não aparecia há tempos voltasse a circular.

Eu já vi isso com os meus próprios olhos. Pessoas que estavam num momento difícil, pesado, cheio de incerteza, que de repente encontraram na Copa um motivo para sentar junto, rir de novo, acreditar em alguma coisa.

Isso é curioso. E vale a pena perguntar: por que um campeonato de futebol consegue fazer isso?

A esperança que a Copa acende

Existe um elemento na Copa que não existe em muitos outros contextos da vida moderna: a possibilidade real de que algo impossível aconteça.

O Brasil pode ganhar. O underdog pode surpreender. O jovem desconhecido pode brilhar numa final. O time que ninguém apostava pode ir longe.

E enquanto essa possibilidade existe, existe esperança.

A maioria das pessoas vive em contextos onde a esperança foi sendo sistematicamente diminuída. A conta que não fecha. O relacionamento que não evolui. A carreira que estagnou. A saúde que preocupa. A vida que parece menor do que o que era esperado.

E aí chega a Copa, e por um mês, a esperança coletiva funciona como uma espécie de empréstimo. “Enquanto o Brasil não for eliminado, eu acredito.”

É temporário. Mas é real enquanto dura.

Quando a esperança some junto com o time

O problema é que esse tipo de esperança tem data de validade impressa na própria natureza dela.

Ou o Brasil é eliminado, e a tristeza vem. Ou o Brasil ganha, e a euforia é enorme, mas dura pouco. Em algum momento, a Copa termina. O dia seguinte chega. E a vida que estava antes ainda está lá, esperando.

Eu me lembro de ver pessoas que eu acompanho por estarem em crises, vivendo tristezas, celebrando a copa e cheias de expectativas, apesar do momento que estavam enfrentando.

Isso diz algo importante sobre o tipo de esperança que procuramos.

Existe esperança que é importada de eventos externos. Depende de que o Brasil ganhe, de que o projeto seja aprovado, de que a pessoa certa apareça, de que a Copa do Mundo chegue.

E existe esperança que é interna. Que não oscila com resultados. Que sobrevive às eliminações.

O apóstolo Paulo escreveu uma coisa que sempre me impactou: “a esperança não decepciona.” Mas ele estava falando de um tipo específico de esperança. Não a do pênalti que pode entrar ou sair. Mas a esperança que está fundamentada em algo que não muda.

Por que voltamos, Copa após Copa

Tem uma pergunta que me parece importante: se a Copa decepciona quase sempre, se a tristeza vem quando o time perde, se a euforia dura pouco quando ganha, por que continuamos esperando tanto de cada nova edição?

Porque a fome não foi saciada. Porque o que procuramos na Copa é real. Só o endereço está errado.

A fome por esperança é legítima. A fome por pertencimento, por algo maior do que a própria vida, por um momento em que o coração acelera e você se sente vivo de verdade, essas fomes são reais e fazem parte do que significa ser humano.

O problema não é querer esperança. O problema é procurá-la em lugares que não têm capacidade de sustentá-la por muito tempo.

A Copa como janela

Quando eu penso na Copa do Mundo, não penso primeiro em futebol. Penso no que ela revela sobre as pessoas.

Revela que queremos fazer parte de algo maior do que nós mesmos. Que queremos ter com quem celebrar. Que queremos acreditar que o improvável pode acontecer. Que queremos sentir algo de verdade, num mundo que cada vez mais fica anestesiado.

Essas são fomes espirituais disfarçadas de paixão esportiva.

E existe um lugar onde elas encontram resposta real. Não temporária. Não dependente de resultado. Não sujeita à fase de um jogador ou à escalação de um técnico.

Existe uma esperança que o próprio Jesus descreveu como “água viva.” Que, quem bebe, não fica com sede novamente. Não porque o desejo vai embora, mas porque foi finalmente saciado pela fonte certa.

Torça. E depois dessa Copa, pergunte

Vai chegando a Copa. Vai vir a expectativa. Vai ter jogo bonito e jogo feio. Vai ter gol que vai fazer você pular. Vai ter pênalti que vai fazer você fechar os olhos.

E quando acabar, quando o Brasil for campeão ou for eliminado, quando as bandeiras forem guardadas e a vida cotidiana voltar, preste atenção no que você vai sentir.

Se sentir um vazio inesperado depois que a euforia passou, não ignore isso.

Esse vazio não é fraqueza. É a sua alma apontando para uma direção. Dizendo que a Copa foi boa, mas não foi suficiente. Que a esperança que você precisa não tem 90 minutos de duração.

Essa conversa é uma das mais importantes que você pode ter consigo mesmo.

E se quiser ter ela com Deus também, a porta está aberta. E não depende de convocação.

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